quarta-feira, 6 de maio de 2009

Mentirosos Inatos

"A dissimulação atravessa toda a história da humanidade, nutrindo a literatura desde o astuto Ulisses de Homero aos livros de maior sucesso popular de hoje. Uma ida ao cinema e é grande a probabilidade de que o filme aborde alguma forma de mentira. Mentir é uma habilidade que brota das profundezas do nosso ser, e nós usamo-la sem cerimónia. Como escreveu Mark Twain há mais de um século: "Todos mentem... todos os dias, a toda hora, acordados, a dormir, em sonhos, nos momentos de alegria, nos momentos de tristeza. Ainda que a boca permaneça calada, as mãos, os pés, os olhos, a atitude, transmitem falsidade". Enganar é fundamental para a condição humana"
"A convicção de Twain é validada por pesquisa. Um bom exemplo é um estudo realizado em 2002 pelo psicólogo Robert S. Feldman. Feldman filmou em vídeo alguns estudantes que haviam sido solicitados a conversar com desconhecidos. Posteriormente, pediu que analisassem as imagens e calculassem o número de mentiras que haviam contado. Uma considerável porcentagem de 60% admitiu ter mentido pelo menos uma vez durante os dez minutos de conversa. As transgressões variaram desde exageros propositados a mentiras descaradas. O interessante é que, embora homens e mulheres tenham mentido com a mesma frequência, Feldman constatou que as mulheres pareceram mais propícias a mentir para fazer com que o desconhecido se sentisse bem, enquanto os homens mentiram mais para se valorizar."
Então, porque mentimos com tanta facilidade? A resposta é simples: porque funciona!

"Como humanos, devemos enquadrar-nos num sistema social fechado para sermos bem-sucedidos, ainda que o nosso alvo principal seja colocarmo-nos acima dos outros. Mentir ajuda. E mentir para nós mesmos - um talento desenvolvido pelo nosso cérebro - ajuda-nos a aceitar nosso comportamento fraudulento."

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